Archive for the ‘Renascimento Old School’ Category

Novidades Old-School

03/05/2009
  • HackMaster Basic

A Kenzer Co., responsável pelo retrô-clone HackMastar, irá lançar uma versão mais simples do jogo. Tudo o que você precisa para jogar estará em um livro de cerca de 170 páginas: raças (humano, elfo, anão e halfling), classes (guerreiro, mago, clérigo e ladrão), regras, informações para mestres e 75 monstros. O livro já está em pré-venda no site da Kenzer & Company, pelo preço de 20 dólares.

Confira a capa, feita pelo lendário Erol Otus:

Capa de HackMaster Basic

Capa de HackMaster Basic

O livro será lançado no dia 30 de Junho.

  • WotC para de vender PDF’s

Em uma decisão que causou revolta na comunidade rpgística, a Wizards of the Coast decidiu parar com a venda de seus livros em formato PDF. Segundo eles, a causa foi a pirataria. Em entrevista ao site ENWorld, o presidente da empresa, Greg Leeds disse que o número de downloads ilegais do Player’s Handbook 2 (e que vazou apenas algumas horas após seu lançamento) foi 10 vezes maior que o número de livros vendidos.

Tá, mas o quê isso tem a ver com a comunidade old-school?

Com essa decisão, a Wizards também parou com a venda de todos os livros fora de impressão, das antigas edições do D&D. Isso causou um surto na compra de PDF’s, com pessoas comprando mais de 200 dólares em downloads.

Na mesma entrevista, Leeds disse que não há planos para reativar tal sistema de vendas.

  • Projeto MegaDungeon no ar

No início do mês de Abril foi colocado no ar o site do projeto MegaDungeon, que desenvolve uma imensa masmorra nos moldes old-school. No site, você pode encontrar informações sobre o templo de St. Gaxyg e a masmorra de Urheim, com descrições de suas salas e habitantes (sempre com mapas), além de NPC’s e rumores. Tudo gratuitamente.

O responsável pelo projeto é James Maliszewski, do blog Grognardia. Clique aqui para acessar a Megadungeon.

  • DungeonQuest pronto

D’A Toca de Kigan:

Após muita espera,vocês caros leitores,poderão,finalmente,baixar o módulo básico completo de DungeonQuest!
E esperem mais!

Próximos Lançamentos:

Manual dos Monstros:lista expandida de monstros e criaturas.

Guia do Mestre:Mais regras opcionais,armadilhas e dicas de construção de cenários.

Clique aqui para baixar o jogo.

  • Fight On! vence o Lulu Contest

A revista Fight On! #4 venceu o Lulu Contest do mês de Março, que premia o produto mais vendido do mês em todo o site. Os autores receberão prêmios em dinheiro e publicidade. Foi a primeira edição do concurso.

Outro produto old-school, Sword and Sorcery, também está presente entre os mais vendidos, mas não ficou entre os 3 primeiros lugares. Confira a lista aqui.

Parabéns para todos que fazem a revista!

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Na semana que vem: Metamorphosis Alpha e Gamma World!

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O Renascimento Old School – Parte IV

08/03/2009

As fanzines surgiram para dar suporte aos simulacros, assim como revistas como Dungeon, White Dwarf e outras faziam antigamente. A maioria dos artigos são feitos pela própria comunidade, por antigos jogadores que hoje são donos de vários blogs que tratam do assunto. Temos aventuras, artigos “gerais”, cenários, NPCs, et cetera.

Duas delas são as mais relevantes:

  • Fight On!:

Criada no início de 2008, foi a pioneira no gênero. O nome é baseado na penúltima ilustração do Volume 3 do Original D&D, um guerreiro (ou Fighting-Man) brandindo uma espada e embaixo os dizeres “Fight On!” (inclusive essa imagem foi “copiada” na capa da #1). Mais old school, impossível.

Começou de forma tímida, sua primeira edição tinha apenas 30 páginas. O sucesso foi tanto, que a segunda veio com 88 páginas, a terceira com 145 e a quarta (e até o momento, a última edição lançada) com 122. Já teve em suas páginas artigos de pessoas como Dave Arneson (co-criador do D&D). Dá suporte aos mais famosos simulacros: OSRIC, Basic Fantasy, Swords & Wizardry, etc.

Capa da Fight On! #3

Capa da Fight On! #3

É lançada trimestralmente, cada edição corresponde à uma estação do ano. Assim, a primeira edição foi a Spring 2008, a segunda Winter 2008 e assim por diante. Pode ser comprada em .pdf e físicamente, pelo site da revista na Lulu.com.

  • Knockspell:

Sua primeira edição foi lançada à pouco tempo, em Fevereiro/2009. É produzida pela Mythmere Games, a mesma que é responsável pelo Swords & Wizardry, mas não dá suporte somente ao seu jogo. Assim como a Fight On!, traz em suas páginas material para os principais retrô-clones, que podem ser convertidos sem muita dificuldade. Esse é um dos objetivos da revista, fazer material o mais “aberto” possível para mestres e jogadores usarem em seus jogos.

Knockspell #1

Knockspell #1

A primeira edição contém 61 páginas e duas aventuras completas. Contém também um artigo de Tim Kask, que foi editor de diversos produtos da TSR, entre eles o suplemento Blackmoor e as primeiras 34 edições da revista The Dragon (que viria a se tornar só Dragon). A capa é do incrível Pete Mullen, que também desenhou as capas das duas versões de S&W.

Assim como a FO!, é também vendida em .pdf e físicamente pela Lulu.com, na página da Mythmere Games.

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Alguns periódicos de menos importância também surgiram nos últimos anos, como a Old-School Gazette, da Expeditious Retreat Press, e a Scribe of Orcus, da Goblinoid Games. As duas tem o mesmo padrão, pdf’s com cerca de 5 páginas que dão suporte aos principais retrô-clones (somente OSRIC, no caso da Gazette). Você pode comprá-las aqui e aqui (a primeira edição da Gazette é gratuita).

Scribe of Orcus #1

Scribe of Orcus #1

As fanzines foram uma idéia que deu certo. Eu não me surpreenderia se surgissem mais algumas nos próximos meses.

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E assim termino a série de artigos sobre o Renascimento Old School. Creio que dei um bom panorama da situação, sobre quem faz e o que fazem. Qualquer novidade no movimento, e ele volta a aparecer por aqui.

Mas eu estou preparando muita coisa legal para o blog, que vai aparecer nos próximos meses. Fiquem atentos! Até!

O Renascimento Old School – Parte III

03/03/2009

Com a OGL e a possibilidade de publicar seu próprio material, surgiram várias editoras amadoras, que trabalham principalmente com a venda de .pdf e com print-on-demand. Além disso, editoras já existentes passaram a dar suporte a jogos old school. A seguir, a lista com as principais editoras que dão suporte ao estilo de jogo old school (e não necessariamente publicar ou produzir material para jogos old school, embora a maioria o faça):

  • Adventure Games Publishing: publica principalmente material para Castles & Crusades (tem a licença da Troll Lord Games para isso), como o cenário de campanha Wilderlands of High Adventures. A maioria de seus trabalhos é em .pdf, que são vendidos em sites como o Drive Thru RPG e o RPG Now.
  • Brave Halfling Publishing: teve seu início em 2008, como editora amadora. Já publicou material para Labyrinth Lord, OSRIC e OD&D. No início de 2009, anunciou que iria se tornar uma editora real, deixando de usar serviços de print-on-demand e publicando seus trabalhos por si mesmo. Em Março, pretende criar um website oficial onde serão vendidos os livros já publicados. A editora pretende continuar vendendo em .pdf.
Capa do suplemento Delving Deeper: Monk, feito pela Brave Halfling Publishing para Labyrinth Lord

Capa do suplemento Delving Deeper: Monk, feito pela Brave Halfling Publishing para Labyrinth Lord

  • Elf Lair Games: é a responsável pelo RPG Spellcraft & Swordplay, só tendo lançado até hoje suplementos para esse jogo. Trabalha com pdf’s e print-on-demand.
  • Expeditious Retreat Press: publica aventuras para OSRIC, numa série (que já tem 8 volumes) chamada Advanced Adventures. Não se prende à jogos old school, trabalhando também com o D&D 4ª Edição. Vende seus livros fisicamente e em .pdf.

Capa de Advanced Adventures #8

Capa de Advanced Adventures #8

  • Goblinoid Games: é a responsável por Labyrinth Lord, Mutant Future e GORE (falarei deles em breve). Trabalha com print-on-demand, através do site Lulu.com, e com .pdf’s (gratuitos, no caso dos livros básicos dos jogos).
  • Goodman Games: não publica ou dá suporte a nenhum retrô-clone, mas através de sua série Dungeon Crawl Classics (aventuras para 3.x, no mesmo estilo dos antigos módulos) foi uma grande influência no Renascimento Old School.
  • Kenzer & Company: produz HackMaster e seu cenário, Kingdoms of Kalamar. Dá suporte ao jogo através de revistas mensais e criou uma associação aos moldes da RPGA. É a maior de todas as editoras listadas aqui, junto com a Troll Lord Games. Seus jogos são mais “mainstream”, podendo ser encontrados fácilmente em lojas como a Amazon.com.
  • Mythmere Games: responsável pelo jogo Swords & Wizardry, além de dar suporte ao OSRIC e ao Labyrinth Lord. Vende seus livros (impressos) pela Lulu.com. As regras dos jogos são gratuitas em .pdf.
  • Necromancer Games: não publica material para jogos old school, mas usa a abordagem da velha escola em seus produtos. O lema da editora é: “Regras da terceira edição, clima da primeira edição”. Assim como a Goodman Games, é de certa forma responsável pelo interesses nos jogos antigos.
  • Pied Piper Publishing: lança produtos principalmente para a 1E (ou OSRIC), mas existem alguns para o Sistema d20 em seu catálogo. Vende seus livros em seu próprio site, usando o PayPal para receber os pagamentos.
  • Troll Lord Games: é a editora responsável por Castles & Crusades e até pouco tempo atrás publicava a obra de Gary Gygax, como Castle Zagyg e um jogo chamado Lejendary Adventures. Produz a revista mensal The Crusader, que dá suporte ao C&C. Assim como no caso da Kenzer & Co. seus jogos são fácilmente encontrados em grandes redes de lojas/livrarias.

Foi criado um grupo na Lulu.com chamado Old School Renaissance, que tenta agrupar todas as editoras que trabalham com o site, ficando mais fácil encontrar os produtos. Atualmente há muitas discussões sobre o serviço que o site presta, principalmente porque o frete internacional é absurdo. Façam uma simulação de preço depois, é mais fácil comprar cartuchos de tinta e tentar imprimir tudo em casa (principalmente com o dólar por volta de R$2,40).

Alguns jogos não apareceram na lista porque seus criadores não “assumiram a identidade” de uma editora, como é o caso do Basic Fantasy RPG, que é publicado por Chris Gonnerman e “só”.

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Na próxima parte do artigo as “magazines” que, nos moldes da Dragon e da Dungeon, dão suporte aos “simulacrum games”.

O Renascimento Old School – Parte II

28/02/2009

Os principais “retrô-clones” criados de 2000 para cá são os seguintes:

  • Hackmaster:

O jogo que pode ser considerado como o primeiro retrô-clone feito é Hackmaster, publicado pela Kenzer & Company em 2001. Surgido como um jogo fictício nas tirinhas Knights of the Dinner Table, é um RPG de paródia/humor, mas pode ser jogado de forma “séria”.

As regras contêm elementos das duas edições de AD&D (mais suplementos como Unearthed Arcana e Oriental Adventures), formando um sistema quase idêntico às versões “avançadas”. No site oficial do jogo é possível até encontrar um guia para a conversão de personagens da 1E. Os “livros básicos” são o Player’s Handbook (dos jogadores), o Game Master’s Guide (dos mestres) e a Hacklopedia of Beasts, série em 8 volumes que contém os monstros do jogo. Mais tarde a Kenzer lançou o Hackmaster Fiend Manual, que continha as criaturas mais populares em um só volume.

Capa do Players Handbook

Capa do Player's Handbook

O cenário original do jogo era o Garweeze Wurld, mas em 2007 a editora anunciou que Kingdoms of Kalamar (que já era publicado desde 1994) seria o novo cenário padrão. Várias aventuras já foram lançadas para o jogo, quase sempre fazendo referências (cômicas) a antigos módulos do AD&D.

Capa do módulo Robinloft

Capa do módulo Robinloft

Em 2002, Hackmaster ganhou o Origins Award de “Jogo do Ano”.

Clique aqui para visitar o site oficial de Hackmaster.

  • Castles & Crusades:

Castles & Crusades foi publicado pela Troll Lord Games em 2004. Talvez o mais “moderno” de todos os jogos criados durante esse período de “renascimento”, C&C tem elementos tanto do Original D&D quanto do D&D 3ª Edição.

O sistema de C&C é chamado de SIEGE Engine. Por não ter perícias, o jogador deve escolher, entre as 6 habilidades clássicas, 3 para serem primárias. Toda habilidade “prime” (como é chamado no jogo) ganha mais 30% (+6 em um d20) de chance de sucesso em relação à quem não escolheu aquela característica como sua habilidade principal. Cada combinação de prime habilities gera possibilidades bem diferentes, mesmo que os personagens sejam da mesma classe. As regras estão divididas em 2 livros, o Players Handbook e o Monsters & Treasure.

23 Castle Keepers (como são chamados os mestres no jogo) fizeram um documento chamado “Por que jogar Castles & Crusades?”, que você pode conferir em inglês aqui.

Capa do Players Handbook

Capa do Players Handbook

De 2005 até 2008, Gary Gygax lançou pela Troll Lord Games (e em compatibilidade com Castles & Crusades) o cenário Castle Zagyg, sua versão para o Castle Greyhawk (uma das dungeons mais famosas de Greyhawk). Castles & Crusades que, aliás, era uma sociedade de wargames fundada por Gygax em 1968, e foi de onde tiraram o nome do RPG. De qualquer forma, no fim de 2008 a família de Gary “caçou” a licença da Troll Lord Games, que não poderia mais produzir o cenário e outros jogos do criador de D&D.

Capa de Castle Zagyg: Yggsburgh

Capa de Castle Zagyg: Yggsburgh

Clique aqui para visitar o site oficial de Castles & Crusades.

  • Basic Fantasy RPG:

O BFRPG, criado por Chris Gonnerman, é inspirado nos sets Basic e Expert de D&D, editados em 1981 por Tom Moldvay e David Cook, respectivamente. Lançado em 2006, é um marco na “Old School Renaissance”, tanto pelas regras simples quanto por ser o primeiro a ser distribuído gratuitamente na internet. A origem do Basic Fantasy foi o Project74, outro projeto de Gonnerman, uma coletânea de house-rules que evoluiu para um jogo inteiro, compatível com (A)D&D. Mas ao contrário de P74, o BF está totalmente de acordo com a OGL e pode ser publicado sem problemas.

Apesar da grande semelhança com o Basic D&D de 81, há alguns elementos do Sistema d20, como a Categoria de Armadura ascendente, separação entre classe e raça e um bônus simples para cada atributo. Muitos netbooks com regras alternativas estão disponíveis no site, mas é desejo do autor que o jogo permaneça o mais simples possível, por isso é tudo opcional e por melhor que o material seja, é difícil que seja incluído no livro básico. O próprio criador do jogo participa de alguns fóruns na internet, tirando dúvidas dos jogadores/mestres sobre o jogo e desenvolvendo suplementos.

Capa do livro básico

Capa do livro básico

Tudo o que você precisa para jogar está contido em apenas um livro, disponível para download gratuito. Através do site de print-on-demand Lulu.com, é possível comprá-lo em capa dura, em encadernação simples ou em espiral.

Para baixar o jogo, é só visitar o site oficial. Se estiver interessado na versão impressa, visite a loja do Basic Fantasy no site Lulu.com.

  • OSRIC:

O OSRIC, ou Old School Reference and Index Compilation, recria as regras do AD&D 1ª Edição em compatibilidade com a OGL. Causou polêmica, pois é praticamente idêntico ao RPG escrito por Gary Gygax.

Lançado em 2006, o OSRIC em sua primeira versão não foi feito para ser jogado, e sim para dar um caminho para editoras lançarem material compatível com a 1E sem problemas com a lei de copyright, do mesmo jeito que a OGL/SRD permite que qualquer um lance material para o d20 System. Até agora deu certo, pois mais de 50 produtos descrevem-se como “compatíveis com OSRIC”. Ou seja, ao ver que um módulo ou suplemento é compatível com OSRIC, o jogador já sabe que na realidade é um produto 1E.

Capa do livro básico de OSRIC

Capa do livro básico de OSRIC

Em 2008 foi lançada a v2.0, com mais de 400 páginas e dando um grande passo na transformação em um “jogo completo”. A segunda versão contém material que não estava presente na primeira, como alguns monstros e tesouros. Mas os próprios “escritores” recomendam que se você quer jogar 1E, é melhor fazê-lo com a obra de Gygax.

Para baixar o OSRIC gratuitamente, é só visitar o site oficial, clicando aqui.

  • Mazes & Minotaurs:

Mazes & Minotaurs, lançado em 2006, é o que seria do D&D caso Gygax e Arneson tivessem se inspirado na mitologia grega e não na obra de Tolkien e similares da fantasia “clássica”. O panteão, por exemplo, é aquele que todos conhecemos, com Zeus, Poseidon, etc. O jogo está disponível em duas versões: as regras de 1972 (inspiradas no Original D&D) e as regras revisadas de 1987 (lançadas em 2007 e inspiradas no AD&D 1ª Edição).

Talvez por ser inspirado na Grécia, seja o mais diferente de todos os retrô-clones. Até os 6 atributos clássicos mudaram: agora são Might (força física), Skill (treinamento e uso de armas), Luck (sorte e auxílio divino), Wits (inteligência e percepção), Faith (piedade e devoção religiosa) e Grace (beleza e atração). A mudança nos nomes pode até assustar, mas no fundo são a mesma coisa. Como no Sistema d20, há apenas um simples bônus para a pontuação de cada atributo, variando de -3 até +3 na versão de 1972 e de -4 até +4 na versão de 1987.

No M&M72, as regras estão contidas em um só livro. As classes (não há divisão de raças) são Barbarian, Spearman, Noble, Priest, Sorcerer e Nymphs. Cada uma delas requer um atributo base: para se ser um Barbarian, por exemplo, é necessário que Might seja sua habilidade mais alta. Há também restrições de sexo: Nymph, por exemplo, é exclusividade do sexo feminino. A rolagem dos atributos é feita com 4d6, descartando o valor mais baixo. O jogador distribui os valores entre as habilidades da maneira que quiser.

Já no M&M87, as regras estão divididas em três livros: Players Manual (dos jogadores), Maze Masters Guide (dos mestres) e Creature Compendium (dos monstros). As classes estão divididas em três tipos: Warriors (Amazons, Barbarians, Centaurs, Nobles e Spearmen), Specialists (Hunters e Thieves) e Magicians (Elementalists, Lyrists, Nymphs, Priests e Sorcerers). Agora, cada classe pede dois atributos base. Utilizando o mesmo exemplo do Barbarian, agora é necessário que Might e Will sejam os atributos mais altos. A rolagem dos atributos aqui é diferente: rola-se 2d6+6 seis vezes, distribuindo as seis rolagens como quiser. Assim fica mais fácil conseguir os atributos base para a classe desejada.

Capa do Players Handbook

Capa do Players Manual da versão de 1987

Nas duas “edições” o sistema na realização de ações e combate é simples e semelhante ao D&D 3E: rola-se 1d20, modificadores são somados/subtraídos e tenta-se superar o nível de dificuldade daquela ação.

Para ambas as versões há suplementos com regras e classes alternativas. Há também o Minotaur Quartely, a webzine oficial de M&M, e a aventura Tomb of the Bull King, com incríveis 200 páginas. Assim como os livros básicos, é tudo disponível gratuitamente no site oficial.

  • Labyrinth Lord:

LL foi publicado pela Goblinoid Games em 2007 e simula as edições Basic/Expert de Moldvay e Cook, sendo quase igual às versões originais, que podem ser usadas com Labyrinth Lord com quase ou nenhuma adaptação. Dessa forma, é mais um jogo que permite a publicação de material para edições antigas. A Goblinoid Games impõe algumas poucas condições para se atestar a compatibilidade com o jogo.

Ao contrário do BFRPG que também usa como base o B/X D&D, em LL não há “modernidades” como separação de classe e raça ou CA ascendente. Cada classe ao chegar ao 9° nível ganha um benefício: anões podem construir uma fortaleza subterrânea, usuários de magia podem fábricar itens mágicos e criar novas magias, e por aí vai. Todas as regras estão presentes em um só livro, que em sua versão alternativa possui uma belíssima capa. O artwork interno é também muito bonito. No fim do livro, temos uma pequena aventura para jogadores iniciantes e o mapa de um pequeno cenário, chamado de Known Lands. Existe material de expansão para esse cenário no site do jogo.

Capa de Labyrinth Lord em sua versão regular

Capa de Labyrinth Lord em sua versão regular

Capa de Labyrinth Lord em sua versão alternativa

Capa de Labyrinth Lord em sua versão alternativa

Labyrinth Lords está disponível para download gratuito, em seu site oficial. Para comprar uma versão impressa (em capa mole ou em capa dura), basta ir até a página da Goblinoid Games na Lulu.com. Tanto na versão impressa quanto em .pdf, é possível escolher qual capa você quer.

  • Swords & Wizardry:

Publicado em 2008 pela Mythmere Games, o Swords & Wizardry é um clone do OD&D, a primeira edição, escrita pro Gary Gygax e Dave Arneson e lançada em 1974. Atualmente, S&W possui duas versões: Core Rules, que corresponde aos 3 livros do Original D&D (são eles: Volume 1: Men & Magic; Volume 2: Monsters & Treasure; Volume 3: Underworld & Wilderness Adventures), mais os suplementos que foram publicados até 1979 e algumas house-rules de Gygax; e a Whitebox, que corresponde somente aos três livros.

No jogo há uma pequena separação entre raça e classe: caso seu personagem seja humano, ele pode escolher entre ser um Magic-User, Cleric ou um Fighting-Man. Caso não seja humano, ele pode ser um Anão, Elfo ou Halfling, mas sem possibilidade de escolher uma classe. Não existem tendências em S&W, porque segundo o autor, o estilo de jogo não é a luta de “good x evil”: o objetivo principal é ficar famoso e acumular tesouros. Caso alguém ainda queira usar alinhamentos no jogo, o livro sugere que se use três: Law, Chaos e Neutrality. Há também a possibilidade de escolher entre CA ascendente ou descendente, há tabelas no livro para as duas situações. A decisão cabe ao mestre.

A principal diferença entre a edição Core Rules e a edição White Box é que a segunda é muito menos “poderosa”: as magias dos Magic-Users só vão até o 6° nível (na Core elas vão até o 9°), os dados de vida de todos os personagens são os mesmos (1d6) e existem diferenças na progressão de níveis dos personagens, só para citar algumas.

As capas das duas versões são assinadas por Pete Mullen, que tem um traço muito parecido com o do lendário Erol Otus (ainda falarei dele por aqui), cuja arte está presente em diversos produtos de Dungeons & Dragons e no banner do blog.

Capa da versão Core Rules

Capa da versão Core Rules

Capa da versão Whitebox

Capa da versão Whitebox

As duas versões de S&W estão disponíveis para download gratuito no site oficial da Mythmere Games. Além do tradicional .pdf, você pode baixar também em .doc, onde você pode copiar/colar suas house-rules e qualquer outra regra que quiser. No site você também encontra suplementos gratuitos como o “OE Monster Compendium” (com centenas de monstros), fichas de personagem, geradores de personagem, etc. Para adquirir os RPGs em sua versão impressa, visite a página da Mythmere Games na Lulu.com.

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De mais relevante, só ficou de fora o Microlite74. Vou esperar o lançamento da versão 2.0 (que deve acontecer agora em meados de Março) para escrever sobre ele. Em outra oportunidade eu talvez aborde alguns jogos mais desconhecidos, como o Spellcraft & Swordplay.

Na próxima parte do artigo, as principais editoras que publicam/produzem material old school.

O Renascimento Old School – Parte I

25/02/2009

O lançamento do D&D 3ª Edição em 2000 desagradou muita gente, principalmente os RPGistas mais antigos, que começaram a jogar com o D&D de Gary Gygax e que reclamaram do excesso de regras e da mudança no estilo de jogo. A solução foi continuar com os mesmos jogos de 20 anos atrás.

Com a internet, muitos desses jogadores se reuniram em fóruns de discussão, para trocar experiências sobre seus jogos favoritos, house-rules e divulgar seus próprios materiais, criando netbooks e zines. Ironicamente, o empurrão que faltava para tudo deslanchar de vez veio com o próprio advento da 3E, com a criação da Open Game License (OGL) e do System Reference Document (SRD).

Com a OGL/SRD qualquer pessoa do mundo poderia pegar a mecânica do D&D e usá-la, modifica-la e distribuí-la da maneira que bem entendesse. Além disso, poderia ainda lançar no mercado seus próprios suplementos para o jogo da Wizards of the Coast. Mas ainda cansados das regras mais complexas (ataques de oportunidade!), alguns jogadores (e empresas) começaram a usar a OGL de uma maneira diferente da que foi proposta originalmente, criando jogos diferentes (e que “competem” com D&D) que lembravam as edições anteriores (tanto em regras quanto em “estilo de jogo”) de Dungeons & Dragons. A coisa deu certo e nos últimos anos vários novos jogos (a maioria deles disponibilizados gratuitamente na internet), blogs, revistas, fóruns e editoras amadoras surgiram. Esse “boom” também foi responsável pela volta de muitos jogadores “aposentados” ao RPG (há até quem diga até que a 4ª edição foi a melhor coisa que poderia acontecer, por fazer com que muitos voltassem a jogar as versões mais antigas). Daí o nome de “Renascimento Old School”, ou “Old School Renaissance”, como está sendo chamado todo esse movimento lá fora.

Alguns desses novos jogos surgidos (chamados de retrô-clones ou simulacros) tinham regras que remetiam quase que inteiramente a certas edições de D&D. Muito foi discutido sobre a legalidade desses velhos-novos jogos, mas é quase consenso que está tudo dentro da lei. Tal semelhança entre as mecânicas possibilitou que se lançassem suplementos inteiramente compatíveis com RPG’s não mais produzidos hoje em dia, sem problemas com copyright. Não havia necessidade de precisar pedir permissão para a Wizards ou quem quer que detenha os direitos sobre o(s) jogo(s) hoje em dia. Antigamente, isso afastava de certa forma alguns RPGistas, que se recusavam a jogar algo que não tinha mais suporte da editora, não tinha lançamentos de aventuras e suplementos todos os meses. Obviamente que o fato de um jogo estar ou não estar mais sendo produzido não impede ninguém de jogá-lo, mas afasta os novos jogadores. Quem hoje vai a uma livraria só encontra livros da 4ª Edição à venda.

A grande maioria das “editoras” lança seus trabalhos em PDF. O trabalho impresso é feito através de serviços terceirizados de print-on-demand, ou seja, os livros são impressos na quantidade que o leitor quer. É um jeito seguro de se produzir, já que editoras amadoras não teriam capital para investir na produção de certa quantidade de livros (e ter que conviver com um possível encalhe, já que não é venda garantida). Mas praticamente não há lucro, é tudo vendido quase que a preço de custo. Um sinal de que isso pode estar mudando é que no início desse ano a Brave Halfling Publishing foi a primeira a se transformar em uma editora de fato, ganhando muito mais liberdade para produzir.

É impossível saber se o “renascimento” será um sucesso, se irá atingir um público maior ou se permanecerá restrito a um nicho de jogadores. Ainda é necessário quebrar algumas barreiras, como a crença de que o antigo é ultrapassado, por exemplo (lembram do vídeo que a Wizards fez para promover a 4E?). Mas um sucesso inicial já foi alcançado, ou esse e vários outros blogs, jogos e zines não teriam sido criados e atraído a atenção, mesmo que leve, dos interessados em role-playing games. O movimento ainda está na sua infância, e só nos resta observar os próximos passos que serão tomados por jogadores, escritores e editoras, sempre desejando que aconteça o melhor para nosso hobbie.

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Na próxima parte do artigo, a descrição dos principais jogos “retrô” criados nesse período.